quinta-feira, maio 23, 2019

Santo São Desidério

Procissão em 1993 marca a chegada da imagem do Santo São Desidério ao município
Foto de 23 de maio de 2009, em procissão do santo São Desidério para o Centro de Convivência do Idoso
Por volta de 1993, foi confeccionada uma imagem de São Desidério, a pedido do então prefeito da época, Felisberto Ferreira dos Anjos, que encomendou a imagem a um artesão em Salvador. Na chegada da imagem ao município, houve procissão até a Igreja Matriz, para onde foi levada. Segundo Felisberto, depois de alguns anos, o santo foi enviado para um artesão em Barreiras para ser reformado. Seis anos se passaram e a imagem não retornou ao município desencadeando um mistério. 

Certo dia, uma senhora da sede do município, se deparou com a imagem aos fundos da loja de um grande empresário de Barreiras. A imagem retornou ao município de origem e permaneceu sob os cuidados dessa senhora, até que, em 23 de maio de 2009, a pedido da comunidade, foi levada em procissão para o Abrigo dos Idosos, onde o santo permanece até hoje.

O santo - Foi um bispo que viveu na França por volta do ano 607 D.C. A história revela que ele foi decapitado em 23 de maio por professar sua fé católica em Jesus Cristo. A partir de então esse passou a ser o dia destinado a homenagear o santo.

Texto: Analítica




segunda-feira, maio 20, 2019

Contos de Mochila (Anton Roos)



Concluída a leitura do mês de maio. Escolhi 'Contos de Mochila', uma obra que reúne textos de vários autores que participaram de um 'Curso de Formação de Escritores da Metamorfose', entre eles o meu colega Anton Roos. Entre as principais temáticas abordadas destacam-se relações familiares, conflitos vividos na escola, na adolescência, frustrações e sonhos.

Com 130 páginas e 27 contos, a linguagem é simples o que torna a leitura agradável. Em muitos momentos me identifiquei na narrativa e rememorei algumas descrições características da época de adolescência. Seguem abaixo alguns trechos que destaquei do livro.

"Hoje, meu pai quase não fala mais comigo, acho que tem medo. Desde a doença da mamãe que tenta ser mais durão do que realmente é. Dia desses ouvi ele chorando no banheiro. Jantamos uma lasanha quatro queijos esquentada no micro-ondas. Tinha gosto de plástico. Não tive coragem de olhar nos olhos dele, dei três garfadas e fui para o quarto", página 13. 

"Faz parte da natureza humana a tentativa de vencer obstáculos e desafios para afirmar-se", página 27.


"Os garotos desceram do ônibus e seguiram seus professores na visita guiada ao museu. O passeio foi bem mais agradável do que Dão previa, muito por culpa da companhia de seu mais novo amigo. Nascia ali uma grande amizade, uma parceria para inúmeras aventuras. E a maior delas estava bem próxima de acontecer", página 67.


"Deixa a menina ir, ela precisa conhecer o mundo, aprender a se virar sozinha. Sair da barra da mãe. Vai ser bom pra ela. Aliás, para todos nós", página 68.


Por Analítica

quinta-feira, abril 18, 2019

Recordações do Dia Nacional do Livro Infantil

Essas são algumas recordações preciosas de Contação de Histórias pela passagem do Dia Nacional do Livro Infantil (18 de abril) e outras ações de incentivo à leitura realizadas a convite de algumas escolas no município (Creche Municipal Ana Maria de Santana, Escola da Terra e Escola Presidente Castelo Branco).

"Um país se faz com homens e livros!" (Monteiro Lobato)


















Por Analítica

segunda-feira, abril 08, 2019

Jornalismo, mudança e reinvenção



Poderia escrever milhões de coisas sobre o que representa o Jornalismo para mim, o que sinto e penso a respeito da profissão que há nove anos escolhi para atuar, tentar fazer a diferença, desconstruir o mundo e descrever experiências vividas intensamente, como já foi relatado nos primeiros posts desse blog, que teve seu nascimento em 2010, mesma data em que se comemora oficialmente o Dia do Jornalista (07 de abril).

Posso dizer sobretudo, que foi no jornalismo e pelo jornalismo que vivi algumas de minhas principais façanhas e realizações. Compartilhar a coautoria de um livro com duas colegas jornalistas foi uma delas. Ter a oportunidade de conhecer alguns lugares, histórias e pessoas interessantes, lições que talvez jamais teria conhecido, caso não fosse por meio da oportunidade de uma reportagem. Histórias que inclusive são relatadas neste blog que é alimentado por muitas dessas experiências são fundamentais na minha trajetória jornalística, muitas delas tornaram-se lições de vida e passaram a nortear a minha personalidade, assim como descreveu Cláudio Ábramo: "O jornalista é, antes de tudo e sobretudo a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter".

Ao longo de quase uma década vivendo na veia os desafios dessa profissão, me deparei com muitos colegas que entre uma pauta e outra, uma cobertura ou fechamento de uma publicação, relatarem suas emoções e também as frustrações da profissão. Quer sejam relacionadas a remuneração financeira - uma das principais insatisfações de muitos jornalistas, ou ainda pelo fato de não serem lidos, compreendidos, pelos caminhos que a profissão está tomando no cenário regional e nacional, entre outros motivos que contribuíram para que o seu modo de 'fazer jornalismo' tenha esmorecido com o passar do tempo.

Afinal, são horas e horas checando uma informação, redigindo um texto, buscando um ângulo perfeito de uma foto ideal para compor uma matéria, caprichar em detalhes e obedecer cada requisito que requer uma boa apuração, para depois, nem sempre obter um retorno condizente com o trabalho que foi exigido para construção de tal notícia. O retorno pode não ser o esperado. Faz parte! Mas escrever para quem? Quem dará credibilidade a suas publicações?

Com tantos blogs, "sites jornalísticos" hoje em dia, 'todo mundo' é um pouco jornalista, até mesmo por conta da acessibilidade às mídias digitais, é muito mais fácil publicar informações e fotos em redes sociais sem se importar muito com a qualidade da informação. A bem da verdade, é comum observar atualmente certa preocupação mais por 'quantidade' de informação, do que com a 'qualidade' da informação produzida, sendo este um dos fatores que certamente contribuem para a veiculação das 'fake news'.

Talvez seja este um dos fatores que contribuíram para que muitos profissionais da área, digo 'jornalistas por formação' buscassem outras alternativas, para tentar desconstruir sua rotina que com o passar do tempo tornou-se 'fria', 'vazia', 'repetitiva', 'não compreendida'. Alternativas essas que podem ser chamadas de  'saídas para o jornalismo'. Novos desafios, novas opções, outros rumos, partindo ou não das possibilidades que um dia o jornalismo proporcionou.

Seja como forma de se realizarem como profissionais, e porque não dizer 'incrementar' a renda, muitos profissionais que conheci e convivi, tornaram-se fotógrafos, aderiram de vez a trabalhos relacionados especificamente à literatura, criarem blogs, sites, investiram em sua própria assessoria de imprensa, tentaram o marketing, comércio, entre outras possibilidades. Ou seja, eles se reinventaram. Reinventar! Essa se tornou a palavra de ordem. Finalizo parafraseando o que o autor Mark Briggs ressaltou em sua obra Jornalismo 2.0. "Mudar é inevitável. Progredir é opcional. O futuro é agora!".

Por Analítica
Foto: Divulgação



quinta-feira, abril 04, 2019

A sangue frio (Truman Capote)


'A sangue frio' é um best-seller de autoria do escritor norte-americano Truman Capote. A obra foi escolhida propositalmente para a Dica de Leitura do Analítica em homenagear ao mês em que se comemora o Dia do Jornalista (07 de abril), e também, a mesma data do aniversário de 09 anos do blog Analítica. Por ser um clássico, o livro é um relato verdadeiro de um homicídio múltiplo e suas consequências, e marca o jornalismo literário, dando início a um novo gênero, o qual o autor definia de 'romance de não ficção'.


O enredo começa quando em 1959, ao ler uma notícia do assassinato de um fazendeiro e de sua família em uma cidade chamada Holcomb, situada no estado do Kansas despertou o interesse de Truman Capote em investigar com mais afinco, realizando um trabalho que mais tarde iria marcar o jornalismo literário e projetá-lo como um dos jornalistas/escritores mais consagrados de todos os tempos. 

Capote chegou a cidade um mês depois do crime e fez a reconstituição da cena. Ele demorou seis anos para concluir a obra que somente foi publicada em 1966 inaugurando o novo gênero o romance de não-ficção, um trabalho que repercutiu muitas polêmicas.

O escritor aprofundou ao tema com riqueza de detalhes, um trabalho com mais de oito mil páginas de investigação que condensou numa obra de 422 páginas. Foram necessárias várias entrevistas incluindo a dos assassinos, aos quais ficou próximo para obter informações. Uma das marcas registradas de seu estilo próprio, é o fato de entrevistar grande número de pessoas sem necessitar fazer qualquer anotação ou gravvação.

No início da obra o autor faz a descrição da pacata cidade, como se pode observar na página 59: “As pessoas que chegam a Garden City, depois que se adaptam ao silêncio da Main Street toda noite acabam descobrindo muita coisa que dá razão aos louvores defensivos de seus cidadãos: uma biblioteca pública bem administrada, um jornal diário, praças gramadas e sombreadas, plácidas ruas residenciais onde animais domésticos e crianças podem correr soltos com toda segurança...”.

Capote também faz uma breve descrição dos moradores, na mesma página 59. “...os moradores da Garden City negam que a população local possa ser diferenciada socialmente. ‘Não senhor. Aqui não há nada disso. Todos são iguais, independentemente da riqueza, da cor ou da religião. Tudo do jeito que deve ser numa democracia, assim é o que nós somos’, mas é claro, as distinções de classe são tão claramente observadas e tão claramente observáveis, como em qualquer outra colmeia humana”.

Do relato do encontro entre os assassinos ele descreve os primeiros contatos. “Dick ficou convencido de que Perry era aquela raridade, um ‘matador por natureza’ – absolutamente são, mas desprovido de consciência, e capaz de conferir, com ou sem motivo, golpes mortais totalmente a sangue frio”, páginas 84 e 85.

Na narrativa da cena do crime, o autor descreve precisamente cada detalhe para prender a atenção do leitor, como nos trechos a seguir:

“O som dos nossos passos foi o que me deixou mais assustada, era tão alto e estava tudo tão quieto. A porta de Nancy estava aberta. As cortinas não tinham sido fechadas, e o quarto estava cheio de sol. Não me lembro de ter gritado... - gritei e gritei. Só me lembro do ursinho de pelúcia de Nancy olhando para mim. E de Nancy. E de sair correndo...”, pág. 90 e 91.

“Ela está morta!” E atirou-se em seus braços. É verdade papai! Nancy está morta!”. Eu não entendia nada... encontrei um telefone,...mas estava fora do gancho, e quando o peguei, vi que os fios tinham sido cortados”. Pág 91.

“O sofrimento. O horror. Estavam mortos. Uma família inteira. Gente boa, simpática, que eu conhecia – todos assassinados. Eu precisava acreditar, porque era mesmo verdade”, página 97.

"Uma tragédia, inacreditável e muito mais chocante do que as palavras conseguem exprimir, atingiu quatro membros da família de Herb Clutter no fim da noite de sábado ou no início do dia de hoje. A morte, brutal e sem motivo aparente...", pág. 102.

Percebe-se que o autor vai conectando cada detalhe no desencadear dos fatos até a captura dos assassinos e de seus depoimentos:

“E Hickock disse: ‘Foi Perry Smith que matou a família Clutter’. Ergueu a cabeça, e endireitou lentamente o corpo na cadeira, como um lutador nocauteado que se esforça para reerguer-se. ‘Foi Perry. Não consegui fazer ele parar. Ele matou todo mundo’”. Pág. 287.

Do julgamento dos assassinos até o desvendar do crime. “Os agentes do KBI afirmaram que Hickock tinha dito que ele e Smith invadiram a residência dos Clutter esperando encontrar um cofre com pelo menos 10 mil dólares. Mas não havia cofre algum, e por isso eles amarraram a família Clutter e mataram todos a tiros um por um” Pág. 287.

Da sentença dos assassinos e do adiamento da pena e espera no Corredor da Morte, até o momento em que foram executados em 1965:

“Dois anos passaram. A partida de Wilson e Spencer deixou Smith, Hickock e Andrews sozinhos com lâmpadas acesas e as janelas veladas do Corredor da Morte”, pág. 395.

“E foi assim que ao amanhecer daquela manhã de quarta-feira, Alvim Dewey, tomando seu café da manhã na cafeteria de um hotel de Topeka, leu na primeira página do Star de Kansas City, a manchete que havia muito ele esperava: MORTE NA FORCA POR CRIME SANGRENTO. A matéria começava assim: ‘Richard Eugene Hickock e Perry Edward Smith, comparsas no crime, foram enforcados hoje na prisão estadual por um dos crimes mais sangrentos dos anais criminais do kansas. Hickock de 33 anos, morreu primeiro, às 00h41; Smith, de 36, morreu às 01h19...’”

Para finalizar o autor relata a volta do detetive Alvim Dewey à cidade onde ocorreu o crime onde ele visita o túmulo da família Clutter“...ele voltou para a sombra das árvores deixando para traz o vasto céu e o murmúrio das vozes do vento que curvava o trigo”, pág. 422.

Por: Analítica

quinta-feira, março 28, 2019

A mulher entre nós ela não é quem você pensa (Greer Hendricks e Sarah Pekkanen)


O Analítica traz como dica de leitura de março, mês dedicado a homenagens ao Dia Internacional da Mulher, o livro 'A mulher entre nós, ela não é quem você pensa', obra da literatura norte-americana escrita pelas autoras Greer Hendricks e Sarah Pekkanen. 

Com 343 páginas e dividido em três partes, apresenta uma narrativa intrigante norteada por duas personagens. De um lado Vanessa, uma mulher de 37 anos recém divorciada. Do outro, Nellie, uma jovem prestes a se casar. No centro do enredo está Richard, um homem rico, ex-esposo de Vanessa e noivo de Nellie. 

Narrada em primeira pessoa à princípio, a história é marcada por pensamentos de Vanessa, por vezes ela revive momentos que passou ao lado de Richard. "Fecho os olhos e me lembro da noite em que usei um vestido quase igual a esse. Richard chegou em casa com uma caixa branca grande, decorada com uma fita vermelha. 'Use hoje a noite', ele disse quando experimentei. 'Você está linda'. Bebemos champanhe no evento de gala da companhia de dança. (...). Ele pôs a mão na parte inferior das minhas costas. 'Esqueça o jantar', murmurou no meu ouvido. 'Vamos para casa'", página 20. 

Vanessa dedicou total exclusividade ao matrimônio e ao desejo do casal de ter filhos, um sonho que resultou em várias tentativas frustradas. Seus pensamentos perseguem Richard e se tornam uma obsessão. "Enquanto mexo meu café, imagino se Richard está preparando uma bandeja para levar na cama para seu novo amor, sonolenta e aquecida sob edredom fofinho que compartilhávamos. Vejo os lábios dela se curvarem em um sorriso quando afasta a coberta para ele entrar. Costumávamos fazer amor pela manhã. 'Não importa o que aconteça durante o resto do dia, pelo menos tivemos esse momento', ele dizia" Páginas 18 e 19.

Não satisfeita com o fim do casamento, o fato do ex-marido se casar de novo a tormenta. "Richard está noivo. Meu marido vai casar com aquela mulher. Vou até um provador, encosto na parede e deslizo até o chão sentindo o carpete queimar minhas coxas. Seguro a cabeça entre as mãos e começo a chorar", página 25.

Aos poucos, com o desdobrar da narrativa vão surgindo indícios de que Vanessa sempre soube da traição de Richard, mesmo ainda quando eram casados. "Uma noite quando ainda eramos casados segui Richard até onde ele morava e fiquei esperando em frente ao prédio. Ele entrou com um buquê de rosas brancas e uma garrafa de vinho. Eu poderia ter batido na porta, entrado, gritado com Richard, exigindo que fosse para casa. Mas não fiz nada daquilo. Voltei para casa e, algumas horas depois quando Richard chegou eu o recebi com um sorriso. 'Tem comida. Quer que eu esquente?'", página 81. 

A narrativa revela uma mulher, que embora soubesse da traição desde o início, se mostra fria e sensata, como enfatiza esse trecho.  "Dizem que esposa é sempre a última a saber. Mas não foi o meu caso. Simplesmente preferi fingir que não vi. Jamais pensei que fosse durar. Meu arrependimento é uma ferida aberta", página 81. Ela encontra cada vez mais motivos para tentar impedir esse casamento e evitar que sua história se repita com Nellie.

Na convivência no apartamento da tia Charlote, aquela que sempre esteve ao seu lado, ela vai aprendendo a conviver com o que parece ser o que na vida lhe reservou. "'Não tenho medo de tempestades, porque estou aprendendo a navegar meu barco a vela'. Bom, nunca fui de temer tempo ruim", página 187. 

Aos poucos, as autoras revelam tópicos imprescindíveis, detalhes que por hora pareciam sem nexo na primeira e segunda parte da história. E assim a narrativa vai ganhando um desfecho surpreendente. Nos últimos capítulos era impossível pausar a leitura diante do suspense. 

Adorei a obra que ganhei de presente da amiga Ivanete no Natal de 2018. 


Por Analítica
Foto: Divulgação 




quinta-feira, fevereiro 28, 2019

Misery - Louca Obsessão (Stephen King)


A obra de Stephen King, 'Misery - Louca obsessão' foi escolhida para a leitura de fevereiro. Esta é a minha primeira leitura que faço dos trabalhos do autor, um presente que ganhei do colega jornalista Anton Roos quando esteve em São Desidério participando de uma edição do projeto Clube da Leitura da Biblioteca Municipal, em agosto de 2018.

Intrigante, o enredo narra a história do renomado escritor Paul Sheldon autor de obras com a personagem denominada Misery Chastain. Ao finalizar um manuscrito de Misery, Paul sai para comemorar e sofre um acidente de carro. A narrativa ganha direcionamento a partir do momento em que Annie Wilkes, uma enfermeira aposentada o resgata desse acidente à beira de uma estrada e o leva para sua casa. Ela se identifica como uma leitora assídua do autor. 

Para a surpresa de Paul, Annie o isola em sua casa e mantém um comportamento louco e obsessivo provocado pelo desfecho da última obra, que ela julga inapropriado na versão do autor. Ela o tortura e tenta convencê-lo para reescreva o final do livro de acordo com a versão que ela deseja. Paul usará de sua narrativa e tentará a todo custo sobreviver às torturas e obsessão da fã número um e fugir do confinamento.  Confira abaixo alguns trechos do livro que considerei interessante destacar:

"Mas personagens de história NÃO!Deus leva a gente quando chega a hora e um escritor é Deus para as pessoas da história, ele cria elas assim como Deus criou a gente e ninguém sabe onde Deus está nem tem como fazer Ele explicar nada...". Página 43. Nessa mesma assertiva a personagem Annie deixa claro quem está no controle da situação e complementa: "...sim tudo bem, mas escute o que eu vou dizer, seu coisa feia, e escute bem: no caso de Misery, Deus está com as duas pernas quebradas e Deus está na MINHA casa comendo da MINHA comida...e...", página 43.

As reflexões do autor não só acerca de sua escrita, mas também de sua existência e capacidade de um dia contornar tal situação. "Tem um monte de sujeitos por aí que escrevem prosa melhor que eu, e que entendem melhor as pessoas e o significado da humanidade... Pode apostar que eu consigo. Tem um milhão de coisas no mundo que eu não sei fazer. Não sei jogar bola. Não sei consertar uma pia. Não sei andar de patins ou fazer um Fá na guitarra. Tentei duas vezes manter um casamento e não consegui. Mas se você quiser que eu arrebente você, assuste ou envolva você, faça você chorar ou sorrir, então sim posso sair dessa!Eu consigo. Eu consigo e consigo de novo até você pedir água. Eu consigo. Eu POSSO”, pág. 121 e 122.

"Meia hora depois ele estava sentado diante da tela em branco, achando que devia gostar de sofrer. Ele tomara uma aspirina em vez de beber, mas isso não mudava o que iria acontecer agora. Iria ficar ali sentado por 15 minutos ou talvez meia hora, olhando para nada além de um cursor piscando na escuridão. Então iria desligar o computador e pegar um drinque", página 324.

Em um dos trechos o autor assim descreve Annie ressaltando o desfecho trágico da personagem: “... pois Annie não era uma deusa, afinal, mas sim uma dona louca que o machucara por suas próprias razões. Annie conseguira tirar quase todo o papel da boca e garganta e saíra pela janela enquanto Paul dormia, sedado. Ela tinha ido ao celeiro, e lá mesmo desabara. Quando Wicks e Mcknight a encontraram, ela já estava morta, mas não por asfixia. Tinha morrido da fratura do crânio que recebera ao bater contra o lintel...Então de certa forma tinha sido a máquina que Paul tanto odiara que havia matado Annie. Eles a tinham encontrado ao lado da baia de Misery, a porca, com a mão sobre uma serra elétrica", página 323.

As alucinações sofridas por Paul mesmo após a morte de Annie, são transcritas nesses tópicos a seguir:

"Mas isso tinha ficado no passado. Annie Wilkes estava no túmulo. Mas assim como Misery Chastain, ela não descansava em paz!Nos sonhos e devaneios de Paul, ele a desenterrava vez após vez. Era impossível matar a deusa. Talvez desse para anestesiá-la com bebidas, mas isso era tudo!", página 323 e 324.


"Paul ouviu um barulho às suas costas e se virou da tela em branco para ver Annie saindo da cozinha vestida em calças jeans e uma camisa de flanela de lenhador com a serra elétrica nas mãos", página 325.

Para finalizar, um trecho que assinala a superação do autor Paul Sheldon e a libertação do personagem. "Ele conseguiria sair dessa. Ele conseguia. E grato e aterrorizado, ele saiu. O buraco se abriu e Paul olhou para o que havia lá, sem perceber que seus dedos ficavam mais velozes, sem perceber que suas pernas doloridas pareciam estar a cinquenta quarteirões de distância, sem perceber que estava chorando enquanto escrevia", página 326. 


Por Analítica
Foto: Divulgação

  

Storytelling (Carmine Gallo)

  "O storytelling não é algo que nós fazemos. O storytelling é o que somos". Concluída a leitura de 'Storytelling', de Car...