sexta-feira, abril 07, 2017

Era hora de voltar



Lembro-me do primeiro dia que chegava à faculdade de Comunicação Social. Tantos medos e dúvidas. Se o jornalismo era mesmo o caminho certo a seguir. Fazia mil perguntas e tentava imaginar como aquilo tudo iria acabar para ver logo os resultados. A experiência acadêmica me fez descobrir que para me tornar uma jornalista era preciso muito mais do que ler, escrever ou falar muito como sempre fiz. Era preciso ir além do comum, desconstruir ideias e principalmente matar a curiosidade do que ainda não vivi. Viver intensamente tudo, sem limites. E como diz uma máxima que um dia li em uma coluna na Revista Imprensa, ‘Viver até doer!’.

Durante três anos, oito meses e nove dias estive afastada das atividades jornalísticas. Não totalmente desvinculada com o jornalismo, uma vez que o trabalho desenvolvido estava relacionado à comunicação e principalmente à leitura – algo que sempre tive paixão. Tive oportunidade de viver outras experiências, que não eram menos importantes, e até me surpreendi com os resultados. Esforcei para capacitar durante esse período, para procurar dar o melhor de mim, a exemplo do “Curso para Auxiliares de Bibliotecas” (Salvador, novembro de 2013) e do curso “A arte de contar histórias” (Barreiras, junho e julho de 2016).

Queria mais. Precisava me testar. Fui para sala de aula. Precisava matar a curiosidade de viver essa experiência, e assim fiz, entre os anos de 2015 e 2016. E para isso agreguei os conhecimentos adquiridos durante o cursinho de Inglés (CCAA, 2008 a 2012). Mas, precisava de um pouco mais de didática. Iniciei então uma segunda graduação, agora na área de educação. Entusiasmada, sigo cursando uma Complementação Pedagógica em Letras – Inglês, desde outubro de 2016.

Agregado a essas novas experiências, resistia a vontade de voltar ao jornalismo. Mais do que uma vontade, uma necessidade. Fato que se concretizou há cerca de dois meses. Este recomeço foi o suficiente para perceber o quanto o jornalismo me fazia falta. Compreendi que está na veia mesmo!

Neste 07 de abril, data que também celebra o dia do jornalista, foi propositalmente escolhida para dar início ao blog Analítica, que hoje comemora seus 07 anos. Na época, recém-formada em Comunicação Social, lembro-me de querer matar uma única vontade. Escrever. Escrever sobre tudo e todos. Então vi no Analítica essa oportunidade. Descrever experiências, sensações. Contar histórias, relatar depoimentos, publicar fotos e tudo o mais despertasse interesse, curiosidade, emoções. Por esses e tantos outros motivos, ainda não descritos aqui, é que não poderia ter escolhido melhor momento para dar início ao meu blog Analítica, uma sugestão do querido professor Carlos Araújo. Parabéns aos nobres colegas e amigos jornalistas! Dias melhores para nossa classe!!!



terça-feira, abril 04, 2017

Cinquentenário da Escola Castelo Branco


Há 50 anos era fundada a Escola Presidente Castelo Branco. A foto acima marca a inauguração, em quatro de abril de 1967. Cursei nessa escola a 4ª série do antigo curso primário. A unidade escolar, ainda pertencente à rede estadual nessa época, ofertava de 1ª a 4ª séries do curso primário. A antiga estrutura física comportava apenas duas salas, uma diretoria, dois banheiros, uma cantina e um depósito. Ao redor da área construída, um enorme pátio.

Era o ano de 1997. Ainda consigo ouvir o barulho estridente reproduzido pelo atrito de dois pedaços de ferro utilizados como o sinal da escola, para anunciar o início e término das aulas e do recreio. A hora do bochecho. As aulas da professora Dalva. O famoso caixote de feira improvisado como palanque e utilizado pelos alunos para treinar a oratória. Os pés de manga no pátio. O tempero da merenda da dona Joaninha. A recreação, a boleada e o uniforme que sujava por este motivo. As intrigas de sala. Os amigos que até hoje cultivo.


Nove anos depois, retornando à Castelo Branco, para trabalhar, entre os meus atributos da função de secretária, tive é claro, e por que não dizer, o privilégio de tocar aquele famoso sinal. Uma passagem breve por essa escola, porém, significativa para reviver algumas lembranças e construir novas amizades.  

quinta-feira, março 30, 2017

Dicas de leitura: Brasília Kubitschek de Oliveira, A hora da estrela e A gaveta do alfaiate


Sim. Gosto de ler. Sempre gostei. Sei lá.
Quando 2017 começou, percebi que pecisava ler mais. É. Precisava colocar em dias algumas leituras engavetadas. É como se estivesse em dívida com a leitura nos últimos meses. Então, li estas três obras.

O primeiro livro, “Brasília Kubitschek de Oliveira” do autor Ronaldo Costa Couto. Apesar de sempre ter sido fascinada pela história da construção de Brasília e pela ousadia e visão futurista de Juscelino Kubitschek, ainda não tinha lido nenhuma obra sobre. Encontrei por acaso este livro, quando organizava a Biblioteca do Colégio Estadual Presidente Médici. A obra reúne depoimentos e os reais motivos que levaram JK a escolher um lugar considerado à época, tão distante, para construir a capital do país. O autor reuniu uma série de fotos da trajetória de vida do ex-presidente e a carreira política, além de registros da construção de Brasília. Li e recomendo!!



A segunda obra lida, trata-se de “A hora da estrela”. Meu primeiro contato com a literatura de Clarice Lispector. Gostei, muito embora tenha me surpreendido com o desfecho. Coitada da Maca! Maca, ou melhor, Macabéa. É o nome da protagonista desta história. Tão só e tão injustiçada com seus hábitos e manias. A não ser pela companhia da Rádio Relógio, seu entretenimento para passar o tempo. Magra. Pálida. Cachorro-quente com Coca-cola era do que costumava se alimentar a garota que sonhava em ser uma estrela de cinema. Também recomendo essa leitura!




Para fechar o trio das primeiras leituras do ano, concluo com o livro do meu colega jornalista Anton Roos. “A gaveta do alfaiate”. Ótima dica! A obra, que tenho autografada, reúne crônicas do autor bem organizadas em 40 interessantes capítulos. Os textos não são extensos. Consegui ler o livro em algumas horas. Gosto da linguagem utilizada pelo escritor. A narrativa carregada de detalhes é envolvente e a leitura não é cansativa. Essa obra marca a primeira do escritor que reside em Luis Eduardo Magalhães. “Talvez”, “Dois pra lá e dois pra cá”, “Meus dentes separados na frente”, “Quero parar de roer as unhas”, “João-de-barro” e “Quando é preciso desacelerar um pouco”, são alguns dos textos que mais gostei. Recomendadíssimo!!

Então, ficam as dicas!!

Por Ana Lúcia Souza

terça-feira, março 28, 2017

Corsino Almeida: a história de um pioneiro

O texto abaixo foi publicado aqui em 2012, na ocasião do centenário do Sr. Corsino de Souza Almeida. Grande homem, personagem importante e um dos pioneiros da história do município de São Desidério, que tive a honra de entrevistar. Ele faleceu ontem, 27 de março, aos 105 anos. 


Sentado à sombra de um frondoso pé de tamarindo, a imagem de um senhor de porte alto e elegante apesar da idade avançada, cabelos grisalhos, olhar distante, semblante sereno, retrata um dos momentos tantas vezes vivenciados por Corsino de Souza Almeida na Fazenda Coqueiro, a cerca de 05 km da sede de São Desidério. Nascido em 06 de janeiro de 1912, foi na fazenda que ele passou a maior parte do tempo ao longo da trajetória de 100 anos. A imagem se configura em uma ampla fotografia que hoje se encontra estampada na parede da sala de sua residência em Barreiras. Ao observá-la, é o próprio Corsino quem revela timidamente: "Ela, (a fazenda) me traz muitas lembranças boas".
Filho do Major Cesário de Souza Almeida e de Ana Rosa Alves das Neves, Corsino Almeida é o caçula de nove irmãos. Casou-se com Albertina Pimentel de Almeida (in memórian), com quem teve 18 filhos: Ana Rosa (Neta), João Luiz Carlos, Almiro (in memórian), Paulo César, Corsino Filho (in memórian), Maria Lúcia, Antonio Afrânio, Darilúcia, Maria (in memórian), Edila Maria, Vilma, Edina, Manoel Corsino (in memórian), Abigail Magna, Cesário Corsino, Lécio Roberto e Rosane. Os filhos fazem questão de lembrar as histórias do pai. "Meu avô Cesário nasceu no povoado de Olho D'Água. Por volta de 1901 ele casou e depois de morar em São Desidério comprou o terreno que hoje é a fazenda na localidade de Coqueiro, onde construiu a casa e teve seus filhos", relata o filho Luis Carlos.
Corsino passou a infância na fazenda Coqueiro e parte da adolescência em Barreiras com os padres Vieira e Carlos, que eram seus padrinhos. Foi nesse período que estudou no internato denominado Aprendizado Agrícola. Aos 17 anos o pai faleceu e Corsino retornou a fazenda para cuidar da mãe e dos negócios da família, exercendo a atividade de pecuarista. O cavalo era seu principal meio de transporte para se deslocar da fazenda para a então Vila São Desidério, via serra, acima do rio São Desidério, pois ainda não existia a atual estrada de acesso. Conta um dos filhos que a abertura dessa vicinal foi um mérito de Corsino. "Depois de muito embate com a Companhia Sertaneja, meu pai conseguiu essa estrada que hoje existe entre o rio e a serra", destaca Paulo César, que completa a narrativa. "Por entre pedras e morros, montado em seu cavalo branco, todo arrumado com terno de linho, meu pai balançava o coração das meninas pela região. Tinha muitas garotas que saiam de Angical e Barreiras querendo namorá-lo, porém, ele era muito tímido", frisou.
Major Cesário tinha uma afilhada muito querida chamada Albertina que costumava visitar a fazenda Coqueiro desde criança. Quando tinha 16 anos, Albertina foi surpreendida com o pedido de casamento de Corsino. Casaram-se, e na mesma casa construída pelo pai de Corsino, eles tiveram seus primeiros filhos. Uma professora que atendia pelo nome de Teotina foi contratada para lecionar na fazenda e ensinar as primeiras lições às crianças. Paulo César relembra a infância. "Lembro-me do tecido cáqui nº 1 e 2 usado por minha mãe para fazer nossos calções, calças e camisas. E as brincadeiras eram muito sadias. Havia muitas árvores na fazenda e a gente costumava fazer balanços com os cipós. Ou também tomar banho no rio São Desidério, onde nós aprendemos a nadar".
Em 1955 a família mudou para a Vila São Desidério e os filhos mais velhos continuaram os estudos. "Sempre aguardávamos com ansiedade os fins de semana para voltar à fazenda. Lembro do processo emancipatório de São Desidério em 1962, que inclusive meu pai votou a favor", disse Luis Carlos. Carinho, respeito e união são alguns dos valores que os filhos de seu Corsino expressam continuamente. "Não media esforço, sempre muito cuidadoso principalmente com nossa educação e saúde. Em casa todos tinham que sentar à mesa posta para fazer as refeições e nessas horas ele ensinava como se comportar. Muitos desses ensinamentos ele adquiriu na época que estudou no Aprendizado Agrícola", ressaltou César.
Na década de 1970, os filhos Ana Rosa e Almiro, já professores, implantaram o Curso de Ginásio Cenecista em São Desidério. Correspondente de 5ª a 8ª séries, o curso era relacionado a Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), e uma alternativa entre escola pública e particular. No município Almiro também foi responsável por inserir uma escola de datilografia com o apoio de sua esposa Eunina Pedrosa de Almeida, além de ser um grande incentivador do esporte, com destaque à prática do vôlei. Hoje, o ginásio de esportes municipal leva o seu nome.
Dois momentos que abalaram seu Corsino e família foram marcados pelo falecimento de Almiro, em 1993 - uma vez que os outros filhos faleceram ainda muito pequenos, e da esposa Albertina em 1996. "Acho que o fato de ter dois filhos deficientes que precisavam da sua atenção fez com que meu pai persistisse", revelou Carlos. Atualmente a família tem mais de 100 membros. Destes, 36 netos, 12 bisnetos. A fazenda Coqueiro é o ponto de encontro. A casa resguarda o aspecto antigo e conserva móveis tradicionais. Em ocasiões como em 02 de novembro se reúnem para uma missa celebrada na capela em honra a Bom Jesus Senhor dos Passos, construída pelo Major Cesário há mais de um século. Desde então a tradição é mantida. Nessa capela jazem os restos mortais de muitos ancestrais da família.
"O segredo para viver tanto ele não revelou. Tem uma alimentação balanceada, come moderadamente o que mais gosta. Dorme e acorda cedo. Desde a juventude gostava de jogar dama e gamão, e passou esses ensinamentos aos filhos. Gosta de estar sempre informado", afirma a primogênita Ana Rosa. Ainda segundo os familiares, até cerca de 98 anos ele ainda fazia trabalhos braçais. Nas comemorações do aniversário de 50 anos de São Desidério, em 2012, o patriarca da família Almeida recebeu uma condecoração pela longevidade e contribuição ao desenvolvimento da economia do município como agropecuarista.

Por Ana Lúcia Souza

quarta-feira, fevereiro 05, 2014

Peculiaridades da zona rural de São Desidério




Um  fim de semana.
Relembrando velhos tempos.
Lugares que recordam minha infância.
Uma velha casa abandonada.
O engenho de moer a cana fora destruído.
Sementes vermelhas de uma certa árvore 
Remetem a brincadeiras de outrora.
Encontrei a tão procurada tripeça.
E uma panela de ferro no chão batido.


terça-feira, setembro 10, 2013

Uma lembrança do jornalista Rodrigo Manzano




Há poucos dias recebi o email de um colega perguntando se eu soube da morte de Rodrigo Manzano. Fiquei chocada! O jornalista e professor da ESPM, faleceu aos 35 anos, no dia 20 de julho, no Hospital Villa-Lobos, onde estava internado em São Paulo, vítima de complicações decorrentes de duas cirurgias a que foi submetido. Ele era responsável pela editoria de Mídia de Meio & Mensagem, desde janeiro do ano passado e foi diretor editorial da revista Imprensa, a qual sou assinante há sete anos.

Em 2008, durante o Congresso de Comunicação em Natal, RN, tive o prazer de conhecê-lo. Ele estava na cidade para ministrar uma oficina sobre revista na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), onde acontecia o congresso. Não tive oportunidade de participar dessa oficina. Lembro-me que ainda percorri a faculdade na esperança de poder encontrá-lo, sem sucesso.
  
Mas por ironia do destino, a viagem foi marcada por muitas surpresas e uma delas aconteceu na manhã de sexta-feira, penúltimo dia de congresso. Eu e meus quatro colegas (Anton, Bruna, Thiara e Simone), não tínhamos atividade e fomos à praia de Ponta Negra, onde de repente, o Rodrigo apareceu do nada, passeando com trajes de banho. Anton fez a ponte entre nós. Apesar da alta temperatura, ali mesmo debaixo daquele sol escaldante foi muito prazeroso conversar com ele por alguns minutos sobre o novo formato da Revista Imprensa, que naquela ocasião acabava de completar 20 anos e registrar este momento.

Rodrigo Manzano era graduado em comunicação social/jornalismo pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestrado na PUC-SP, era professor das disciplinas de Teoria do Jornalismo e Teoria da Comunicação I no curso de graduação em jornalismo da ESPM. Também foi professor convidado do curso de especialização em gestão e produção em jornalismo na PUC-Campinas.


segunda-feira, setembro 02, 2013

Meu pai, meu ídolo




Em agosto, além de comemorar o dia dos pais, no segundo domingo, também é especial para mim por ser o mês do aniversário de meu pai Angenor, dia 31, meu painho que amo muito. Ele simplesmente é o meu maior exemplo, o modelo de honestidade, de caráter, de superação, de pai, de homem. Ele sempre me incentiva e me aconselha nos momentos mais difíceis em que sinto medo, dúvidas e preciso de atenção.

O que temos em comum talvez seja a inquietação. Eu o desafio, e ele me desafia. Mas eu adoro quando ele enfim se rende aos meus argumentos e percebe que tenho razão e que eu cresci. Tudo bem que quando era pequena, ele a jogou fora minha fita cassete da Xuxa, que deu problema de tanto que eu a ouvia. No instante em que o pedi para arrumar, ele egou a da minha mão e a jogou do outro lado da rua. Ele haje rápido! Mas a nossa comunicação é muito boa, e esse, acredito que seja o motivo pelo qual nos entendemos bem e eixo norteador para que eu conseguisse sua confiança. Sempre com diálogo. Ele é meu amigo, meu confidente. Somos sete irmãos e nas minhas lembranças da infância bastava que meu pai olhasse de lado e com o semblante fechado, já entendíamos que ele estava nos repreendendo por algum erro.

Ele sempre trabalhou fora e a casa só estava completa com sua presença. Às vezes quando eu já estava dormindo, ouvia o barulho do caminhão chegando em frente casa, e isso me fazia sentir mais tranquila e segura. Ele abria a porta do quarto para nos ver. Aliás isso é algo que ele faz ainda hoje, principalmente aos domingos pela manhã. Outras vezes eu e meus irmãos íamos encontra-lo na praça do antigo Mercado Municipal, onde ele também costumava estacionar o caminhão. Depois de abraça-lo, retornávamos para casa juntos.

Em épocas em que a família era grande, os domingos costumavam ser animados. Era o único dia em que a mesa era afastada da mesa. As panelas eram grandes e fartura nunca faltou, principalmente aos domingos quando galinha caipira preparada por minha mãe era um prato exclusivo. Lembro que uma vez minha catequista perguntou o que meus pais faziam para manter a família unida e eu lembrando desse fato comum nos nosso domingos lá em casa respondi que minha mãe fazia “galinha caipira”. À tarde depois que painho acordava todos íamos para o quintal e ele partia uma saborosa melancia.
Meu pai nasceu no povoado de Ponte de terra e perdeu seus pais muito cedo, por isso foi criado com seus padrinhos Anezima e Manoel. Teve uma infância pobre, limitada e desde cedo confeccionava seus carrinhos e caminhões de brinquedo, motivo que o incentivou a buscar com persistência seu maior desejo, o de se tornar autônomo ao adquirir seu primeiro caminhão, sonho que se concretizou somente aos 52 anos. A data ainda lembro, era 20/02/2002.

Apesar de cursar até a 4ª série do antigo primário, seu senso de autodidata se configurou em rimas dos versos do Testamento de Judas, que são relatos em forma de versos de cunho jocoso acerca de personagens e da história de São Desidério, realizado por ele aos sábados de aleluia em praça pública. Mas este é um assunto que quero tratar com mais ênfase em outro texto. Penso que herdei um pouco dessa sua sensibilidade para a escrita, versos, rimas e que isso de certa forma contribuiu para me tornar uma jornalista. Penso também que ele poderia ser um bom repórter, pude comprovar isso durante seu acompanhamento a algumas viagens no período em que eu e minhas colegas Jackeline e Luciana buscávamos histórias para embasar nosso livro-reportagem Um rio de histórias, um projeto que ele apoiou. Sempre de vez em quando ele opina sobre alguma coisa que deveria escrever, como por exemplo uma das primeiras árvores plantadas na avenida JK desta cidade, como já contei por aqui. Ah! Ele também gosta de tirar muitas fotos e fazer seus registros. Essa é outra característica comum entre nós.
Uma de minhas descobertas foi saber que ele toca flauta rústica. Sempre soube que ele gosta muito de samba, mas não sabia que ele dominava esse instrumento. Le não fica parado, mesmo nos fins de semana sempre está a procura de algo para fazer, consertar. Gosta de acompanhar vaquejadas, ligar o som do carro bem alto e tomar sua cervejinha de vez em quando. Mas também é muito teimoso!

Muitas vezes pode ser difícil reunir todos os irmãos, mas acredito que todos se espelharam um pouco na personalidade de painho, admiram o seu esforço para conquistar seus objetivos porque ele trabalhou tanto desde pequeno, quantas noites mal dormidas para dar o sustento a família, tantas vezes que sentiu fome, frio e dor sem ter ninguém por perto para ajudá-lo. Por tudo isso e muito mais é que o amo muito. Que Deus o abençoe e lhe dê saúde para continuar alegrando e influenciando seus filhos a ser pelo menos um pouco do que ele é.

Storytelling (Carmine Gallo)

  "O storytelling não é algo que nós fazemos. O storytelling é o que somos". Concluída a leitura de 'Storytelling', de Car...