segunda-feira, julho 31, 2023

Memphis (Tara M. Stringfellow)


De 1930 ao início dos anos 2000, viajamos com a autora Tara M. Stringfellow, em seu romance de estreia 'Memphis', cujo enredo se passa na cidade que dá título à obra. Conhecemos três gerações de mulheres negras de uma mesma família, de Hazel a Joanie. "Isso não é algo notável? Como os dons podem viajar?". 

A autora descreve o cenário onde se passa a história. "Havia chegado em maio e encontrou Memphis a todo vapor [...] Sempre havia música em Memphis", pág 27. 

Alguns fatos históricos são contextualizados para situar o leitor no tempo e espaço da obra, como neste trecho da página 242. "Dr. King foi baleado. - A Srta. Dawn não tirou os olhos da janela quando acrescentou: - E morto". Tara também cita algumas renomadas personalidades negras da época, a exemplo de James Brown, Diana Ross, Aretha Franklin, Martin Luther King, Stevie Wonder. "Poderia fazer com que a mulher mais acabada e sem graça no norte de Memphis saísse parecendo a Srta. Diana Ross em carne e osso [...] August ouviu os inconfundíveis acordes de abertura de 'Respect' de Aretha", págs102 e 103. 

Apesar de toda a música, poesia, força, união que compreendem a escrita desta autora, a obra também faz referência a fortes marcas de racismo e violência fazendo um forte apelo ao respeito, questões de identidade e de pertencimento. "Não será afetada. Ao menos o psicológico dela não será. Vai ficar dolorida durante alguns dias [...] Mas seria mais raro do que o cometa Halley aparecer três vezes - disse ele. - Uma menina de três anos se lembrar do próprio estupro", pag 81. 

O livro indicado pela tag Curadoria de julho, como edição especial de aniversário dos nove anos da Tag Livros Experiências Literárias, têm 322 páginas e divide-se em três partes. 

"August, agora vá em frente e abra todos os baús. My, abra cada armário. Abram todos eles. Joanie não vai fugir para aquele frio de Londres sem que façamos uma colcha decente para ela", pág 310.

Por Analítica

segunda-feira, julho 03, 2023

A mulher do século (Patrick Dennis)



Sofisticação, extravagância, ousadia são algumas características que o autor Patrick Dennis utiliza para descrever a personagem Mame Dennis, em 'A mulher do século'.

"Personagem mais inesquecível? [...] Ele não tem nem como saber o significado da palavra personagem se nunca conheceu minha tia Mame. Ninguém tem como saber."

Com a morte inesperada do irmão, ela passa a ser a responsável legal pelo sobrinho, o jovem Patrick e vê sua rotina mudar completamente. Mas apesar das diferenças e desentendimentos, os dois irão criar fortes laços e viver momentos especiais. 

A obra é indicação de leitura do mês de junho da Tag Livros Experiências Literárias (Curadoria).

Por Analítica

terça-feira, junho 13, 2023

Lar em chamas ( Kamila Shamsie)


Concluída mais uma leitura, e esta é inspirada na famosa peça grega, Antígona, de Sófocles. "Não tenhas, pois, um sentimento só, nem penses que só tua palavra e mais nenhuma outra é certa, pois se um homem julga que só ele é ponderado e sem rival no pensamento e nas palavras, em seu íntimo é um  fútil", Antígona, Sófocles. 

O romance 'Lar em chamas', da paquistanesa Kamila Shamsie, inspirado na renomada obra, mostra que os clássicos não saem de moda. A autora se baseia no texto de Sófocles para fazer uma releitura e traz à discussão, contextos envolvendo temáticas atemporais, como o luto, xenofobia, terrorismo, relações familiares e crises de identidade, vividos na pele por cidadãos islâmicos, como Isma, Aneeka e Parvaiz, que dão vida aos personagens dessa narrativa que destaca suas aventuras pelo ocidente.

"[...] o luto não via nada além de si mesmo; o luto via cada partícula de dor do mundo [...]", página 198. 

Por Analítica

domingo, maio 07, 2023

Segredos do coração


Aproveitei o fim de semana para concluir mais uma leitura, desta vez o livro 'Segredos do coração', que trata sobre os relacionamentos entre pais e filhos e de experiências de vida transformadas em legado. 
A obra reúne relatos de 24 autores, dentre eles, minha conterrânea de São Desidério, a poetisa Aldair Pereira. Amei a obra, a leitura é super leve e trata-se de um livro atual, que rende importantes discussões, principalmente no auxílio da relação familiar. 
Por vezes me identifiquei em algumas narrativas e os relatos nos proporcion também uma desconstrução sobre opiniões já cristalizadas. 
Parabéns Aldair, reconheci sua escrita imediatamente ao ler (rsrs) e gostei muito do seu texto. Parabéns também aos demais autores por esse grande presente que reforça o interesse pelo hábito da leitura e na busca por mais conhecimento, como forma de lazer e cultura. Segue trecho do texto da Aldair, um dos que mais apreciei:

"Há sempre pedras na vida,
Em todo e em qualquer caminhar,
Quanto mais longo o caminho,
Mais pedras se pode encontrar!

Pedras grandes ou pequenas
São obstáculos a se enfrentar
Pedras são testes na vida
Feitas para desafiar!

Adeus caminhos de pedras!
Adeus, pedras do caminho!
Mesmo com os caminhos de pedras
Aprendi a caminhar!"

Por Analítica

quinta-feira, abril 27, 2023

Como ficar podre de rico na Ásia emergente (Mohsin Hamid)


"Na verdade, todos os livros, todo e qualquer livro já escrito poderia ser oferecido ao leitor como uma forma de autoajuda". 

Uma escrita intrigante que ao primeiro olhar se confunde com uma obra de autoajuda, mas surpreendente pela estrutura e reflexões espirituosas que instiga a nossa imaginação.   
    
'Como ficar podre de rico na Ásia emergente', é uma ficção da literatura paquistanesa, de autoria de Mohsin Hamid, leitura da Tag Curadoria do mês de abril indicada pelo brasileiro João Anzanello Carrascoza. O cenário desta narrativa é ambientado na Ásia emergente onde o autor constrói a ficção baseada em um personagem que busca vencer na vida e tentar a sorte em um grande centro com um final emocionante.    
          
"[...] assim como este livro, e eu, que escrevo este livro, e você dentro de mim, dentro de você, mas de um jeito esquisito, e então que você, que eu, que nós, que todos possamos dessa forma enfrentar o fim".

Por Analítica

sexta-feira, março 31, 2023

Coisas humanas (Karine Tuil)


“Nascíamos, morríamos; entre os dois com um pouco de sorte, amávamos, éramos amados, isso não durava muito, cedo ou tarde acabávamos sendo substituídos. Não havia razão para se revoltar, era o destino invariável das coisas humanas”, página 313.

Em ‘Relações humanas’, da autora  Karine Tuil, questões atemporais, a exemplo das redes sociais, abuso sexual, feminismo, terrorismo, são temáticas constantes debatidas durante a obra da literatura francesa, publicada em 2019.

O enredo se desenvolve em torno da tradicional família Farel, do casal Jean e Claire, que levam uma vida de aparências. Ele, um renomado jornalista de TV que recebe personalidades famosas em seu famoso programa, mas sofre de traumas e faz uso de remédios controlados. Claire é uma ensaísta feminista, 30 anos mais jovem que o marido. O jovem Alexandre é o único filho do casal. 

O ápice da história se dá quando Claire abandona o marido para viver com o professor judeu, Adam, que tem uma filha, Mila. Após um episódio de uma festa regada a drogas, Alexandre se envolve com Mila que o acusa de estupro, fato que contribui para a queda da reputação de família perfeita dos Farel, pois o acontecimento ganha grande repercussão na mídia e de movimentos como o #metoo. 

A autora reserva muitos momentos marcantes que mexem com a imaginação e prende a atenção do leitor, trazendo reflexões profundas acerca do que um simples instante, pode contribuir para trazer discussões profundas acerca da natureza humana. Com curadoria de Tatiana Salem Levy, a obra marca a terceira indicação do ano da Tag Curadoria. 

“As relações humanas parecem destinadas à traição e ao fracasso”.

Por Analítica

sexta-feira, março 10, 2023

Migrações (Charlotte McConaghy)

 


"Os impactos de uma vida pode ser medido pelo que ela oferece e pelo que deixa para trás, mas também pode ser medido pelo que ela leva do mundo". Da autora australiana Charlotte McConaghy, 'Migrações' traz a história da jovem faxineira Franny Stone. Ela embarca no navio pesqueiro Saghani, para acompanhar a última migração de andorinhas para a Antártida. Narrado em primeira pessoa pela protagonista, ela detalha grandes aventuras compartilhadas com outros companheiros de bordo, como o professor e pesquisador de aves migratórias, Niall Lynch, e o comandante do navio, Ennis Malone. Em uma narrativa leve, a autora aborda questões voltadas a temáticas ambientais com foco em animais em extinção. 

"O vento está tão forte quanto antes, mas é o suficiente para levantar as cinzas e carregá-las ao encontro das penas brancas esvoaçantes até que eu não consiga dizer onde elas terminam e os pássaros começam".

Por Analítica

O homem mais rico da Babilônia (George S. Clason)

“Era uma vez, na antiga Babilônia, um homem muito rico chamado Arkad. Conhecido em toda parte devido à sua imensa riqueza, tornara-se igualm...