Por Analítica
domingo, maio 07, 2023
Segredos do coração
quinta-feira, abril 27, 2023
Como ficar podre de rico na Ásia emergente (Mohsin Hamid)
sexta-feira, março 31, 2023
Coisas humanas (Karine Tuil)
“Nascíamos, morríamos; entre os dois com um pouco de sorte, amávamos, éramos amados, isso não durava muito, cedo ou tarde acabávamos sendo substituídos. Não havia razão para se revoltar, era o destino invariável das coisas humanas”, página 313.
Em ‘Relações humanas’, da autora Karine Tuil, questões atemporais, a exemplo das redes sociais, abuso sexual, feminismo, terrorismo, são temáticas constantes debatidas durante a obra da literatura francesa, publicada em 2019.
O enredo se desenvolve em torno da tradicional família Farel, do casal Jean e Claire, que levam uma vida de aparências. Ele, um renomado jornalista de TV que recebe personalidades famosas em seu famoso programa, mas sofre de traumas e faz uso de remédios controlados. Claire é uma ensaísta feminista, 30 anos mais jovem que o marido. O jovem Alexandre é o único filho do casal.
O ápice da história se dá quando Claire abandona o marido para viver com o professor judeu, Adam, que tem uma filha, Mila. Após um episódio de uma festa regada a drogas, Alexandre se envolve com Mila que o acusa de estupro, fato que contribui para a queda da reputação de família perfeita dos Farel, pois o acontecimento ganha grande repercussão na mídia e de movimentos como o #metoo.
A autora reserva muitos momentos marcantes que mexem com a imaginação e prende a atenção do leitor, trazendo reflexões profundas acerca do que um simples instante, pode contribuir para trazer discussões profundas acerca da natureza humana. Com curadoria de Tatiana Salem Levy, a obra marca a terceira indicação do ano da Tag Curadoria.
“As relações humanas parecem destinadas à traição e ao fracasso”.
Por Analítica
sexta-feira, março 10, 2023
Migrações (Charlotte McConaghy)
"Os impactos de uma vida pode ser medido pelo que ela oferece e pelo que deixa para trás, mas também pode ser medido pelo que ela leva do mundo". Da autora australiana Charlotte McConaghy, 'Migrações' traz a história da jovem faxineira Franny Stone. Ela embarca no navio pesqueiro Saghani, para acompanhar a última migração de andorinhas para a Antártida. Narrado em primeira pessoa pela protagonista, ela detalha grandes aventuras compartilhadas com outros companheiros de bordo, como o professor e pesquisador de aves migratórias, Niall Lynch, e o comandante do navio, Ennis Malone. Em uma narrativa leve, a autora aborda questões voltadas a temáticas ambientais com foco em animais em extinção.
"O vento está tão forte quanto antes, mas é o suficiente para levantar as cinzas e carregá-las ao encontro das penas brancas esvoaçantes até que eu não consiga dizer onde elas terminam e os pássaros começam".
Por Analítica
terça-feira, fevereiro 21, 2023
Torto arado (Itamar Vieira Junior)
"O sonho do passado corre feito um rio. Corre nos sonhos, primeiro. Depois chega galopando, como se andasse a cavalo".
Em 'Torto arado', romance de Itamar Vieira Junior, conhecemos a história de duas irmãs Bibiana e Belonísia, que após a tentativa de desvendar um segredo de família, sofrem um acidente, e têm suas vidas para sempre interligadas, a ponto de uma ser a voz da outra. "Aquele era nosso pacto de vida, desde o fatídico dia em que a faca de Donana havia fendido nossa história, decepando uma língua, impedindo a produção de sons, ferindo a vaidade de uma Mãe d'Água, mas unindo duas irmãs nascidas do mesmo ventre, em tempos diferentes, pela vida até aquele instante".
O enredo se passa nas terras de Água Negra, região do sertão baiano, onde o trabalho na lavoura é o principal sustento da família humilde, vítima de constantes abusos dos donos das terras. "[...] naquela terra hostil de sol perene e chuva eventual, de maus tratos, onde gente morria sem assistência, onde vivíamos como gado, trabalhando sem ter nada em troca, nem mesmo o descanso".
Apesar de todo trabalho escravo e sofrimento, o sonho de ter o próprio pedaço de chão é o desejo que ultrapassa as gerações, e a família mantém firme suas tradições e crenças religiosas, herdadas dos antigos ancestrais africanos e sempre passadas adiante. "Cresci em meio às crenças de meu pai, de minha avó, e mais recentemente de minha mãe. Os objetos, os xaropes de raízes, as rezas, as brincadeiras, os encantados que somavam seus corpos, tudo era parte da paisagem do mundo em que crescíamos".
O romance publicado pela editora Todavia, tem 262 páginas, e é divido em três partes: Fio de corte, Torto arado e Rio de sangue. "Era um arado torto, deformado, que penetrava a terra de tal forma a deixá-la infértil, destruída, dilacerada".
Vencedor dos prêmios LeYa, Oceanos e Jabuti, este é o primeiro contato do Analítica com a obra do escritor baiano, que também é autor de outros livros, como Dias e A oração do carrasco. O autor traz uma escrita tão peculiar que nos convida a viajar na narrativa por meio das memórias dos personagens, seus traumas e nos permite uma reflexão de que Torto arado dá margem a uma série de inferências que o torna um romance atual e também interpretado como a voz de muitos que são excluídos e marginalizados. "Sobre a terra há de viver sempre o mais forte".
Por Analítica
segunda-feira, janeiro 30, 2023
Mama (Terry McMillan)
"Quem estaria lá para juntar os cacos se ela deixasse desmoronar?". Uma obra profunda e marcante, em 'Mama', da autora norte-americana Terry McMillan, viajamos até os Estados Unidos da década de 1960 e conhecemos Mildred Peacock, mulher, mãe, negra que vive numa sociedade segregacionista e passa por muitos desafios para criar sozinha os cinco filhos: Freda, Dim-Dim, Boneca, Lindinha e Anjinho.
Na pequena cidade de Point Haven, Mildret não tem papas na língua, principalmente quando se trata dos filhos, de quem cobra muito, fala e faz o que quer, muitas vezes se expressar de forma bem rude, talvez por essa ser a melhor maneira que encontrou para camuflar a mulher forte, corajosa e tão sensível ao mesmo tempo, e para ter autoridade sobre os filhos, é por eles que faz suas loucuras, ou por quem se abdica de viver certos luxos.
"Um dia quando você ficar mais velha, vai perceber que precisa parar de se preocupar com o que todo mundo vai pensar de você e o que vai dizer sobre você, porque todo mundo vai falar de você de qualquer jeito, não faz diferença o que você fizer", página 104.
Freda, a filha mais velha, jovem com muitos sonhos, destaca-se na narrativa pela maturidade e por ajudar a resolver os problemas da família. Com um ponto de vista crítico, espelhado em vivências sofridas e nos reflexos de sua mãe, por vezes assume uma postura autoritária que poderia ser confundida com a da própria personagem principal. "Então Mildred estendeu a mão para a filha como se ela fosse um presente que sempre quis e finalmente tinha conseguido", página 283.
Publicada em 1987, é uma obra envolvente que marca o início das leituras da Tag Curadoria em 2023, indicada pelo curador e escritor Itamar Vieira Jr. Apreciei a sensibilidade da escrita de Terry e a fidelidade na apresentação dos personagens, de como descreve suas características. "Elas abraçaram-se. Deram tapinhas nas costas uma da outra como se tivessem caído, arranhado os joelhos e não tivessem mais ninguém a quem recorrer em busca de conforto. Parecia que se abraçavam pelo passado e pelo futuro", página 284.
Na manhã de (04) de fevereiro, as taggers do Clube da Leitura Curadoria Barreiras, se reuniram para discussão da obra. Um encontro regado a café, partilha de depoimentos e muitas gargalhadas.
Por Analítica
segunda-feira, janeiro 09, 2023
O avesso da pele (Jeferson Tenório)
"É necessário preservar o avesso, você me disse. Preservar aquilo que ninguém vê. Porque não demora muito e a cor da pele atravessa nosso corpo e determina nosso modo de estar no mundo". Em 'O avesso da pele', do autor Jeferson Tenório, conhecemos o jovem Pedro, e embarcamos em suas memórias marcadas pela morte do pai Henrique, um professor assassinado, vítima do racismo.
O texto em prosa é carregado de emoção e narrado pelo personagem principal, Pedro que em meio a solidão no apartamento do pai, revive lembranças e cria uma série de perspectivas que poderiam ser partilhadas com a presença paterna.
A narrativa é marcada por trechos que descrevem temáticas como o preconceito racial, pobreza e violência com base nas vivências de uma família negra que tem por cenário a cidade de Porto Alegre.
A leitura fluiu muito bem e o livro, que foi presente do grupo do Clube de Leitura da Tag Curadoria Barreiras, foi escolhido para ser a primeira leitura do Analítica de 2023. É o primeiro contato do blog com o trabalho do escritor. O romance lhe rendeu o prêmio Jabuti em 2021.
"[...] o professor Henrique Nunes não morreu por mera circunstância da vida, morreu porque era alvo de uma política de Estado. Uma política que persegue e mata homens negros e mulheres negras há séculos", páginas 179 e 180.
Por Analítica
Storytelling (Carmine Gallo)
"O storytelling não é algo que nós fazemos. O storytelling é o que somos". Concluída a leitura de 'Storytelling', de Car...
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