segunda-feira, junho 11, 2018

Fama e Anonimato (Gay talese)


A dica de leitura do Analítica deste mês é o livro 'Fama e Anonimato'. De autoria do escritor norte americano Gay Talese, a obra configura-se em um clássico do jornalismo literário, e contempla uma narrativa contagiante em que o autor não economiza detalhes, abordando fatos que envolvem desde figuras anônimas da cidade de Nova York até personalidades famosas, a exemplo do perfil que constrói sobre o cantor Frank Sinatra.

Um dos capítulos mais emocionantes trata-se das reportagens que encorpam o capítulo sobre a construção da ponte Verrazzano-Narrows, na qual o autor acompanhou durante anos enquanto escrevia com riqueza de detalhes sobre a vida dos trabalhadores e de seu cotidiano, desde os acidentes que envolviam o ofício e das relações entre os personagens no decorrer do enredo.

O que mais destaca na obra, talvez seja o jeito único de Gay Talese e de sua apuração afiada que o fez percorrer diversas ruas e bairros da cidade, para se encontrar e conversar com várias pessoas que poderiam se tornar suas fontes, e o resultado final, um trabalho emocionante que assinala um marco para a literatura jornalística e bastante apreciado, principalmente para os amantes do jornalismo literário.

Por: Analítica
Foto: Divulgação

quinta-feira, abril 12, 2018

Extraordinário (R.J. Palacio)



De autoria da escritora norte-americana R.J. Palacio, Extraordinário é seu primeiro livro. A obra de ficção é dividida em oito partes. O Enredo narra a história de August Auggie Pullman, um garoto de dez anos que nasceu com uma síndrome genética, que tem como sequela uma deformidade facial que o fez passar por 27 cirurgias, além de muitas complicações médicas, motivos que nunca o deixaram frequentar uma escola de verdade.

“Médicos vieram de cidades distantes só para me ver, parados ao lado da minha cama sem acreditar. Dizem que só posso ser uma das maravilhas da Criação, e até onde veem não conseguem explicar.” Pág. 07.


O principal desafio de Auggie, é encarar o primeiro dia de aula no 5º Ano em uma escola normal de Nova York, o Colégio Beecher Prep, e superar o bullying que sofre de outros estudantes. A mãe Isabel, o pai Nate, a irmã Via e o amigo Jacky Will são alguns dos personagens que o ajudam no desenrolar da história.

Ao longo do enredo a autora utiliza elementos para enriquecer e ilustrar a narrativa, a exemplo das comparações que estabelece entre o personagem principal com os personagens e episódios de Star Wars, história a qual August é fascinado.


Em alguns capítulos, o livro que é narrado na perspectiva de Auggie, apresenta-se narrado também da perspectiva de alguns de seus familiares e amigos. O amadurecimento do personagem principal ao longo da história se torna evidente, assim como a superação de seus medos, e que embora com aparência incomum, consegue despertar um impacto positivo e convencer todos ao seu redor, do garoto cativante e Extraordinário que é, despertando uma ideia de que as pessoas podem ser mais gentis.

“...se forem apenas um pouco mais gentis que o necessário, alguém, em algum lugar, algum dia, poderá reconhecer em vocês, em cada um de vocês, a face de Deus”. Pág. 303

“Grande é aquele cuja força conquista mais corações pela atração do próprio coração”, pág. 306


Por: Analítica
Fotos: Divulgação

quinta-feira, abril 05, 2018

Uma oração rezada por Vó Si na Sexta-feira Santa


Das lembranças que tenho da sexta-feira Santa, é de ter toda a família reunida para o almoço e ao final a oração. De uns anos para cá, depois que meu avó faleceu, passamos a contar também nessa data, com a presença da minha avó Sizaltina sentada à mesa conosco. É ela quem conduz a oração. Uma delas, em especial, me chamou a atenção, pois somente nessa ocasião a vi rezar. Trata-se de uma oração que recebe o nome de 'O pranto de Nossa Senhora', como Vó costuma chamar.

Neste ano, além de filmar o momento, pude antes, também, ter a oportunidade de me sentar com ela para escrever a oração a punho. É incrível como a memória de Vó está ótima e ela se lembra de cada palavra.

Após escrever o texto, ela pediu:

- Ô Ana, lê aí agora para eu ver se tá certo!

Ela confirmou cada palavra. Ao perguntá-la quando e com quem ela aprendeu a oração, ela afirmou que ainda era criança e a aprendeu com sua avó Antônia.

Segue abaixo o vídeo e a oração escrita.


O pranto de Nossa Senhora

Meu pranto era tão grande,
Para eu ver e saber,
Grande pesar eu tive,
Na Sexta-feira Santa,
Ali por hora de Ceia,
Grande, nova e tristeza,
Meu coração passava,
Correndo praça e vila,
Fazendo grande alegria,
Todas donas e senhoras,
Todas quando me viam,
Todos comigo choravam,
E todos comigo diziam:
Oh Senhora! Oh Senhora!
Grande pesar eu levo convosco,
De meu Deus, precioso filho,
Creio que não acho mais vivo,
Se vivo eu quiser achar,
No alto da bela cruz,
Tão mudado que estava,
Que eu quis conhecer e não pude,
Cheio de chaga e quebrante,
Que morte cruel abraçado com a cruz,
Caída esmorecida,
Dizendo triste de mim coitada,
Sem nenhuma companhia,
Só me achei com Santa Maria Madalena e 
São João meu sobrinho,
Quem este meu pranto rezar,
Três vezes no dia,
Três vezes na noite,
Quem bem escutar,
A porta do céu achará aberta,
E a do inferno nunca haverá!


Texto/Fotos/Vídeo: Analítica

quinta-feira, março 22, 2018

Dia Mundial da Água


Em passagem pelo Rio Grande no povoado de Almas, a cerca de 40 km da sede de São Desidério, contemplei esta imagem. Uma placa no leito do rio clama: "Pensamos no futuro, SOS Rio Grande!". 


Por: Analítica




quinta-feira, março 08, 2018

Um pé de seriguela, uma reza e a farofa da ‘cumade Chica da vó’


Quando se fala em do Quando se fala em dona Francisca da Ponte de Terra, muitas lembranças boas me surpreendem. Algumas delas estão relacionadas ao dia 06 de agosto, data em que os fiéis rendem homenagens a Bom Jesus da Lapa, que marca também o dia da reza na casa da dona Francisca, ou como a vó a chamava, ‘cumade Chica’. Para as netas da dona Si, esse dia, há alguns anos atrás, significava um dia especial, de passeio e diversão. A reza costumava começar por volta das 13 horas, então arrumávamos cedo e íamos em comitiva, a pé, pela estrada de chão batido. A vó, suas filhas e nós, primas. A casa de dona Francisca ficava repleta. Afinal, muita gente de toda a redondeza costumava ir à Ponte de Terra neste dia para prestigiar a reza.

Chegando lá, a vó e nossas mães se dirigiam para dentro da casa, onde a primeira sala era preparada para a reza. Uma mesa forrada com toalha branca, uma imagem do santo ao centro, e ao redor, vários ramos, que ao final da reza costumavam ser distribuídos pela dona da casa aos participantes. Enquanto isso, as crianças se dirigiam logo para o enorme quintal que circulava a casa. As mães logo alertavam aos gritos:

- Não vão ficar encarreirando no quintal não, viu! E cuidado com os foguetes!

No quintal, as crianças corriam, e o estouro dos foguetes era intercalado com o som das mulheres que cantavam os benditos dentro da casa. Ao lado esquerdo da casa, um pé de seriguela era a nosso lugar preferido, onde ficávamos brincando por horas e nos divertíamos muito. Mas o episódio mais engraçado do qual me recordo, foi de um certo ano, em que estávamos em cima do pé, cada uma em uma galha, e de repente, a prima Patrícia escorregou e ficou dependurada pela barra do vestido em um dos galhos. Assustada e chorando, ela ficou por alguns segundos balançando, com medo de o vestido rasgar e cair no chão. Até que um adulto correu para socorrê-la. Para nossas mães, que a essa altura já estavam envolvidas na reza, não havia mais motivos para nos deixar lá fora brincando. Não teve outra solução, a não ser nos chamar para dentro da casa, onde ficamos até a reza acabar. 

A dona Chica gostava muito de rezar, sua reza em homenagem a Bom Jesus costumava demorar um pouco, pois ela pedia as rezadeiras para cantarem muitos benditos. Lembro que ela pedia para nós, netas da Si, para cantar uns cantos da igreja também.

Depois de terminada a reza e dos ramos entregues, os participantes já estavam espalhados pela casa e principalmente pelo quintal, onde eram servidas as petas, as brevidades, suco e batidas. Outra lembrança que tenho da dona Francisca era do carinho que ela tinha por vó. Ela pedia para vó reunir sua comitiva e se sentar na saída da porta da cozinha, que dava para o quintal, e entregava a ela uma grande vasilha cheia de farofa de carne de porco. Hummm!! Posso sentir aquele cheiro do tempero da farofa, sempre tão deliciosa! A vó fazia a divisão e comíamos satisfeitos. Aquela farofa já era uma marca registrada de sua reza. Sempre tinha.

Essas são apenas algumas lembranças da minha infância relacionadas à pessoa da dona Francisca, a ‘cumade Chica da vó’. Uma guerreira, um exemplo de fé, humildade, e de mulher que batalhou para criar seus filhos e testemunhar o amor de Deus em sua vida, partindo na véspera do dia em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. E sua despedida hoje, nesse 08 de março de 2018, nos faz lembrar do grande exemplo de mulher que foi!

Por: Analítica

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

Chuva forte em São Desidério no dia 22 de fevereiro

Na madrugada do dia 22 de fevereiro, data do aniversário de 56 anos de São Desidério, uma forte chuva contemplou a sede do município. 

O volume de água interditou ruas e avenidas, invadiu casas e órgão públicos como o Hospital e Maternidade e o Abrigo dos Idosos, causando estragos, a exemplo do desabamento de muro de residências, do Estádio Municipal e do Ginásio Municipal Almiro Almeida. 

Confira algumas fotos:
















Por: Analítica
Fotos: Divulgação

quarta-feira, fevereiro 21, 2018

56 anos de São Desidério

São Desidério, ou como prefiro me referir carinhosamente "Sandes", comemora neste 22 de fevereiro, o aniversário de emancipação política. 

O segundo maior município da Bahia com uma extensão territorial de 15.116.397 km² e uma população de mais de 30 mil habitantes. Localizado no oeste baiano são aproximadamente três mil quilômetros de estradas vicinais que interligam cerca de 125 povoados. 

É destaque na produção de algodão, de grãos e também pelo forte potencial turístico. São rios, grutas e lugares que despertam encantamento como a Lagoa Azul e o Paredão do Deus Me Livre.


Neste cenário tão rico e belo, destacam-se personagens com muitas histórias interessantes e tradições que potencializam a cada dia a trajetória histórica do município ao longo desses 56 anos. 

Parabéns São Desidério! 

Minha homenagem segue com algumas imagens que fiz de lugares, pessoas e momentos que retratam também a história do município.
   











Texto e fotos: Analítica

Storytelling (Carmine Gallo)

  "O storytelling não é algo que nós fazemos. O storytelling é o que somos". Concluída a leitura de 'Storytelling', de Car...