quarta-feira, janeiro 16, 2019

O Diário de Anne Frank


"Espero poder contar tudo a você, como nunca pude contar a ninguém, e espero que você seja uma grande fonte de conforto e ajuda". Com essas palavras escritas em 12 de junho de 1942, Anne Frank assinala o início de suas memórias no seu diário que manteve até 1º de agosto de 1944.


Essa talvez não seja apenas mais uma entre tantas histórias que aconteceram no contexto do Nazismo e da guerra. Fundamentada em relatos de um diário de uma adolescente judia, com pensamentos à frente de seu tempo, e às vezes extremistas, ela viveu conflitos e experiências paralelas ao período da Segunda Guerra Mundial, fato em torno do qual a narrativa transcorre.

Anne inicia seus relatos a partir do momento em que ganha de presente de aniversário de 13 anos um diário, na data de 12 de junho. Ela o considera como uma amiga e passa a chamá-lo de Kitty. A princípio relata fatos do convívio com o pai Otto, a mãe Edit e a irmã Margot.

O enredo passa a ter outro direcionamento quando a irmã Margot recebe uma convocação da SS - Organização Paramilitar ligada ao Partido Nazista e a Adolf Hitler e a família então decide fugir para se esconder em um local chamado Anexo Secreto. "O esconderijo ficava no prédio do escritório de papai. É uma coisa meio difícil de ser entendida por gente de fora, por isso vou explicar. Papai não tinha muita gente trabalhando no escritório, só o Sr. Kugler, o Sr. Kleiman, Miep e uma datilógrafa de 23 anos chamada Bep Voskuijl, e todos estavam informados de nossa ida. O Sr. Voskuijl, pai de Bep, trabalha no armazém junto com dois assistentes, e nenhum deles ficou sabendo de nada", pág. 30.

Em outro parágrafo ela descreve o prédio onde passou a viver a família Frank e os Van Daan, e posteriormente também o médico Albert Dussel, totalizando oito pessoas que se enclausuraram naquele endereço chamado Prinsengracht, 263. "A porta à direita do patamar leva ao Anexo Secreto nos fundos da casa. Ninguém jamais suspeitaria da existência de tantos cômodos por trás daquela porta cinza e lisa", pág. 31.

Durante os relatos Anne descreve a relação de amizade e admiração com o pai, como afirma nesse trecho: "Papai é sempre tão bom! Ele me entende perfeitamente e eu gostaria que algum dia pudéssemos falar de coração para coração sem que eu caia instantaneamente no choro. Mas acho que isso tem a ver com minha idade. Eu gostaria de passar mais tempo escrevendo, mas isso provavelmente acabaria sendo chato", pág. 37. Ela comenta também o relacionamento com a mãe, com quem tinha frequentes desentendimentos e dizia gostar menos que o pai. "Apesar de todas as minhas teorias e meus esforços, sinto falta todo dia e toda hora de uma mãe que me compreendesse. É por isso que em tudo que faço e escrevo, imagino o tipo de mãe que eu gostaria de ser para meus filhos no futuro. O tipo de mãe que não leva a sério tudo que as pessoas dizem, mas que me leva a sério", pág. 148.

Em muitos momentos ela faz declarações do desejo de liberdade, como descrito nesse trecho: "Mas os sentimentos não podem ser ignorados, não importa que pareçam injustos ou ingratos. Gostaria de andar de bicicleta, dançar, assoviar, olhar o mundo, me sentir jovem e saber que sou livre, mas não posso deixar isso transparecer", pág. 148. Em outros, ela se mostra não ter mais esperança. "O fim da guerra ainda parecia tão distante, tão irreal como um conto de fadas. Se a guerra não terminar em setembro, não vou voltar à escola, já que não quero ficar dois anos atrasada", pág. 232.

A confusão de pensamentos também é presente nos relatos da autora. "Algumas vezes me pergunto se alguém algum dia entenderá o que estou dizendo, se alguém deixaria de lado a minha ingratidão e não se importaria se sou judia, e apenas me visse como uma adolescente que precisa demais de uma simples diversão. Não sei, e não poderia falar disso com ninguém, porque tenho certeza de que começaria a chorar", pág. 148.

As transformações do corpo, a descoberta do amor e sexualidade, e as frustrações são declaradas pela adolescente. Em relatos registrados na data de terça-feira, 07 de março de 1944, Anne faz uma retrospectiva de 1942 e 1943, deixando transparecer amadurecimentos vividos pela protagonista da história além de questionamentos sobre valores. "Riqueza, prestígio, tudo pode ser perdido. A felicidade em seu coração pode ser diminuída, mas estará sempre lá, enquanto você viver, para torná-lo feliz de novo", pág. 186.


Anne situa o leitor apresentando detalhes a exemplo da situação alimentar no Anexo Secreto. "...vou dar uma descrição detalhada da situação alimentar, já que está se tornando uma situação difícil e importante, não somente aqui no Anexo mas em toda a Holanda, em toda a Europa e mesmo no resto do mundo....nos 21 meses em que vivemos aqui, passamos por muitos ciclos alimentares - num instante você entenderá o que isso significa. Um ciclo alimentar é o período em que só temos um prato específico ou um tipo de verdura para comer. Durante longo tempo só tivemos endívias. Endívia assim, endívia assado, endívia com purê de batatas, caçarola de endívia com purê de batatas. Depois espinafre, seguido por couve-rábano, salsão, pepinos, tomates, chucrute e por aí vai", pág. 231.

A ideia de escrever apenas para si mudou quando em 1944 ela soube que o governo holandês  anunciou que após a guerra recolheria relatos do sofrimento dos holandeses influenciados pela ocupação alemã, e isso incluiria cartas e diários. A partir disso, a adolescente, que tinha o desejo de ser jornalista e escritora, começou a organizar os inscritos e nutrir o desejo de publicar um livro baseado em seu diário, como ela mesma afirma nessa passagem:

"Há muito tempo você sabe que meu maior desejo é ser jornalista, e mais tarde uma escritora famosa. Teremos de esperar para ver se essas grandes ilusões (ou desilusões) irão se cumprir, mas até agora não sinto falta de assunto. De qualquer modo, depois da guerra eu gostaria de publicar um livro chamado O Anexo Secreto. Resta ver se conseguirei, mas meu diário pode servir de base", pág 273.

Como não havia muito o que fazer no Anexo, escrever era um de seus entretenimentos e o desejo de se tornar conhecida através da escrita manteve suas esperanças até a última página de seu diário, acreditando que poderia fazer uma coisa não somente por si, mas também pelos outras. "A não ser que você escreva, não saberá como é maravilhoso; eu sempre reclamava de não conseguir desenhar, mas agora me sinto felicíssima por saber escrever.  E se não tiver talento para escrever livros ou artigos de jornal, sempre posso escrever para mim mesma. Mas quero conseguir mais do que isso...não quero que a minha vida tenha sido em vão, como a da maioria das pessoas. Quero ser útil ou trazer alegria a todas as pessoas, mesmo àquelas que jamais conheci. Quero continuar vivendo depois da morte!E é por isso que agradeço tanto a Deus por ter me dado este dom, que posso usar para me desenvolver  para exprimir tudo que existe dentro de mim!", pág. 233.


O último registro do diário de Anne data de 1º de agosto de 1944, três dias antes das oito pessoas que se encontravam no Anexo Secreto serem presas por um sargento da SS e membros holandeses da Polícia de Segurança.

Sem um final feliz e apesar do sonho de se tornar famosa não ter sido desfrutado em vida por Anne Frank, a  publicação de suas memórias imortalizou sua obra e tornou sua história conhecida por leitores no mundo inteiro.


Por Analítica
Foto: Divulgação

quinta-feira, dezembro 20, 2018

Presépios/Lapinhas de Natal: história e tradição

Sizaltina mantém a tradição da lapinha há mais de 70 anos
Presépio é uma alusão que se faz da reprodução do nascimento de Jesus Cristo, no qual são os personagens da história o menino Jesus em uma manjedoura, Maria a mãe de Jesus, José o carpinteiro e pai de Jesus. No cenário, relativo a um estábulo, se encontram ovelhas, bois, jumentos, entre outros animais presentes na noite de Natal.

A história conta que o primeiro presépio foi produzido por São Francisco de Assis, por volta de 1223. O frade utilizou argila oriunda da floresta de Greccio na Itália, numa região conhecida por Lácio, com a intenção de explicar as pessoas o verdadeiro significado do Natal.

Esta ação se popularizou na Europa no século XVIII e as pessoas também passaram a montar os presépios dentro de suas próprias casas. Com o tempo, esta prática se tornou comum e adotada em outras partes do mundo, chegando ao Brasil.

Em São Desidério, na região oeste da Bahia, a confecção dos presépios é também popularmente conhecida como 'Lapinhas', fazendo uma relação com gruta ou lapa, em torno do qual o cenário do presépio geralmente é montado. 

Até a década de 1990, a tradição era mantida por muitas famílias. Na noite de 24 de dezembro, após a celebração da Missa do Galo, um grupo de senhoras acompanhadas de outras pessoas partiam da Igreja Matriz rumo as casas onde era montadas as lapinhas. Em cada casa rezavam e cantavam benditos exaltando o nascimento de Jesus e após a reza eram servidos bolos, biscoitos, salgados e bebidas aos participantes. A peregrinação às casas costumava demorar e só terminava por volta do amanhecer do dia.

As lapinhas de dona Maria Rosa conhecida por Maria Pombinha, Dorinha (in memorian), Anízia, Maria do Ercílio, Maria do Zé da Bia (in menmorian), Nenzinha, Maria Helena, Valdecy, Bia do Adiel (in memoria), Custódia (in memorian), Nazinha, Joana do seu Olavo (in memorian),  Dalice (in memoriam) e Sizaltina, entre outras, faziam parte do percurso.

Outro dia para rezar nas lapinhas é 06 de janeiro, em que se comemora Santo Reis. A data faz alusão a visita dos três Reis Magos levando ouro, incenso e mirra ao menino Jesus.


Reza do Dia de Santo Reis na casa da vó Si

Lapinha da minha casa

Lapinha da Igreja Matriz

Por: Analítica

quinta-feira, novembro 22, 2018

Dia do músico


Neste dia dedicado ao músico (22 de novembro), o Analítica parabeniza a todos os músicos de nossa querida São Desidério, em especial, os que fazem parte da Banda Baile Gerações (Rodrigo Rocha, Val, Leonel, Leomar, João Marcos, Adler, Lurick, Artur e Jacky), profissionais dedicados com quem aprendo a cada show e me divirto muito. Lembrando também com carinho daqueles que já fizeram parte e contribuíram com a trajetória da Família Gerações (Zezito, Vota, Zânio e Flávio). Estes são registros de alguns momentos especiais divididos nos palcos  da vida.





Fotos: Divulgação / Lucas Ribeiro Ascom SD
Banda Gerações: Rodrigo (Vocal), Leonel (Teclado), Leomar (Baixo), João Marcos e Luizinho (Metais), Lurick (Guitarra), Val e Arthur (Percussão), Adler (Bateria) e Ana Lúcia (Back).

terça-feira, novembro 13, 2018

Clicks livres



As duas fotos acima registradas em Vila Nova Conceição, localidade da zona rural do município de São Desidério.


Rio Grande no povoado de Almas, São Desidério.


Rio Grande no distrito de Sítio Grande, São Desidério.

quarta-feira, outubro 31, 2018

Semana Nacional da leitura e Dia Nacional do Livro (29 de outubro)


"Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro..."





Acima, registro de alguns momentos de trabalhos voluntários, como Palestras de Incentivo a Leitura e Contação de Histórias Infantis em escolas do município de São Desidério.

sexta-feira, setembro 28, 2018

Alguns cliques do festejo da Padroeira, Show de Pe. Antônio Maria e Cortejo do Divino

Missa Solene da Padroeira Nossa Senhora Aparecida em 19 de setembro de 2018 na Igreja Matriz.







Chegada da Procissão à igreja.



Show Católico com Padre Antônio Maria na Praça Abelardo Alencar, em 19 de setembro.







Festa do Divino Espírito Santo, chegada do cortejo à Igreja Matriz, em 20 de setembro de 2018.









segunda-feira, setembro 17, 2018

São Desidério e os tradicionais festejos religiosos da Padroeira e do Divino Espírito Santo


Cortejo da Festa do Divino Espírito Santo em 1997

Em São Desidério, o mês de setembro é dedicado aos festejos religiosos da Padroeira do município, posto ocupado por Nossa Senhora Aparecida, celebrada no dia 19, e do Divino Espírito Santo, dia 20.

Diferente das datas celebradas oficialmente no restante do país, (12 de outubro - dia de Nossa Senhora, e a Festa do Divino Espírito Santo - 40 dias após a Páscoa), no município, são justificadas pelas denominadas ‘desobrigas’, comuns em uma época em que havia um mesmo padre disponível para cobrir uma grande região, e devido às distâncias, as visitas dos párocos costumavam ser agendadas. Como era costume os festejos acontecerem uma vez por ano, os fiéis aproveitavam a oportunidade em que também eram celebrados batizados, casamentos e outros sacramentos.

Chegada do ônibus com romeiros vindos de Goiânia e Brasília para os festejos religiosos, 
Nessa época do ano, moradores de São Desidério que atualmente residem em outros estados costumam retornar ao município para participarem das tradicionais “festas de setembro”. Até a década de 1990 eram organizadas comitivas que traziam muitas pessoas, vindas principalmente de Goiânia e de Brasília, para prestigiar as festas da cidade e visitar os parentes. Elas costumavam vir em ônibus fretado, que ao chegar ao município, era anunciado por foguetes e recepcionado por muita gente que se concentravam em frente à Igreja Matriz.


Com o passar dos anos, os festejos religiosos entraram para o calendário cultural do município e passaram a contar com grande participação durante o Novenário da Padroeira, que tem início no dia 10 de setembro. Em frente a igreja todos os dias é organizada quermesse com comidas preparadas por pastorais, grupos e movimentos da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Os festejos da Padroeira se encerram com a alvorada festiva pelas principais ruas da cidade realizada ao amanhecer do dia 19, sendo o ponto alto a missa solene em honra a Nossa Senhora Aparecida celebrada às 18 horas, seguida de procissão. 


Pe. Antônio Maria é a atração do show religioso deste ano

Com o apoio da Prefeitura Municipal por meio da Secretaria de Cultura, Esporte e Lazer, a partir de 2005 foi incrementado à programação das festividades o Show Católico, com apresentação de artistas religiosos. Em 2005 - Cantores de Deus, 2006 - Banda Catedral, 2007 - Pe. Zezinho, 2008 - Rosa de Saron, 2009 - Pe. Antônio Maria, 2010 - Dominus, 2011 - Pe. Antônio Maria, 2012 - Joana, 2013 - Pe. João Carlos, 2014 - Pe. Fábio de Melo, 2015 - Pe. Alessandro Campos, 2016 - Pe. Keisson Torres, 2017 - Anjos de Resgate, e este ano a atração do show é Pe. Antônio Maria, que visita o município pela terceira vez. O show será após a missa da Padroeira na Praça Abelardo Alencar.

Festa do Divino - Na manhã de 20 de setembro é a vez dos devotos do Divino Espírito Santo participarem da tradicional missa solene. Essa celebração registra anualmente grande número de fiéis participantes, moradores da sede e zona rural do município, além de visitantes. Antes da missa, o Imperador da festa, acompanhado de sua corte e de uma multidão se desloca de sua residência percorrendo algumas ruas da cidade até chegar à Igreja Matriz, onde ocorre a celebração. O final da missa é aguardada com o sorteio do novo Imperador e corte. Após a transmissão da coroa todos se dirigem para o local onde é servido o popular almoço que sempre é animado com muita música.

Uma das festas mais populares, a Festa do Divino tem seus preparativos durante todo o ano, quando a família do Imperador juntamente com os foliões e organizadores da festa levam a bandeira, um dos símbolos da tradição, por todo o município, com intenção de arrecadar donativos para o festejo. O Imperador é quem coordena a festa e sua corte é formada por: Alferes da Bandeira (quem conduz a bandeira), Caudatários (responsáveis pelo isolamento da corte durante o percurso), Procurador da Bandeira (encarregado por buscar interessados que desejam adicionar seus nomes para participarem do sorteio da corte do Imperador do ano seguinte) e Capitão do Mastro (aquele que organizará juntamente com a comissão a Pegada dos Mastros onde serão hasteadas as bandeiras da Padroeira e do Divino, no primeiro sábado de setembro).

Por: Analítica
Fotos: Arquivo da Paróquia Nossa Senhora Aparecida/Divulgação

Storytelling (Carmine Gallo)

  "O storytelling não é algo que nós fazemos. O storytelling é o que somos". Concluída a leitura de 'Storytelling', de Car...